Pensar no Design Thinking à inovação

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Imagine uma abordagem que permita olhar para a ponta antes de inovar. Ela existe e tem nome: conheça o Design Thinking.

Todo trabalho de design exige reflexão e a livre expressão do pensamento. Seguindo esse raciocínio, não seria uma certa redundância nomear uma abordagem da área de criação de Design “Thinking”? Não, não seria. E nas linhas abaixo você irá descobrir o por que e, mais além, a razão pela qual essa expressão vem sendo utilizada, não somente na área de Desenvolvimento de Produtos, mas em diversas áreas empresariais de todos os segmentos.

Criatividade X Pressão por resultados

Raul Seixas dizia que a desobediência é uma virtude necessária à criatividade. E faz todo o sentido. A liberdade subversiva de apontar para o desconhecido, de trilhar um caminho nunca antes desbravado, de buscar materializar o que ninguém jamais deu vida, essa inquietude de alma e coração típica das mentes inventivas é condição para aflorar a capacidade criativa do ser humano na solução de problemas. E é aqui que o design thinking, uma perspectiva que mudará por completo sua maneira de encontrar os caminhos corretos em sua trajetória de sucesso.

Um dos grandes desafios enfrentados pelos profissionais em suas carreiras, nos dias de hoje, é suportar pressão por resultados cada vez mais imediatos (e dotados de nível máximo de eficiência), exigências que têm feito com que se opte sempre pelo caminho mais seguro e de menos riscos: é a velha história de ganhar o jogo por 1 X 0, ao invés de se arriscar a jogar bonito e acabar derrotado.

O conceito de design thinking veio para revolucionar a maneira de encontrar soluções inovadoras para os problemas, soluções criativas focadas nas necessidades reais do mercado e não em pressuposições estatísticas.

O que significa design thinking?

A primeira informação que deve ficar clara é que design thinking não é uma metodologia, e sim uma abordagem. Isso porque, quando pensamos em método, criamos a expectativa de ter às mãos uma fórmula matemática que se aplique indistintamente em qualquer situação. Não é o caso.

Design thinking é uma abordagem que busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, em uma perspectiva de empatia máxima com seus stakeholders (interessados): as pessoas são colocadas no centro de desenvolvimento do produto – não somente o consumidor final, mas todos os envolvidos na ideia (trabalhos em equipes multidisciplinares são comuns nesse conceito).

O processo consiste em tentar mapear e mesclar a experiência cultural, a visão de mundo e os processos inseridos na vida dos indivíduos, no intuito de obter uma visão mais completa na solução de problemas e, dessa forma, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas viáveis para transpô-las. Não parte de premissas matemáticas, parte do levantamento das reais necessidades de seu consumidor; trata-se de uma abordagem preponderantemente “humana” e que pode ser usada em qualquer área de negócio.

A razão de sua existência é a satisfação do cliente (interno ou externo), dádiva que só pode ser alcançada quando conhecemos em profundidade suas necessidades, desejos e percepções de mundo.

Mais se levássemo o Disign Thinking à inovação?

Ao associar o Design Thinking à inovação, é preciso entender que o pensamento “disruptivo”, ou seja, que provoca ou pode causar “disrupção” (revolução tecnológica), acaba por interromper o seguimento normal de um processo ou fluxo.

A grande questão é o quanto disruptivo podemos ser. De acordo com o tipo de problema ou oportunidade que você está lidando, há diferentes estágios de disrupção.

Para entender melhor, o professor André Coutinho descreveu em um artigo para a revista Harvard Business Review, que a partir da inspiração, pode-se avaliar e decidir qual será o modo de pensar do projeto, considerando alguns fatores, são eles: predisposição, probabilidade do futuro, orientação da estratégia e espírito de tempo, gerando o quadro abaixo:

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Ao observar o quadro, observa-se que quanto mais à direita, maior o grau de incerteza – ou seja, mais disruptivo é o projeto. Para explicar isto, alguns autores ilustram o comportamento do pensamento no decorrer do projeto, indicando os momentos em que o modo de pensar deve ser disruptivo e os momentos em que o modo de pensar deve ser convergente.

A necessidade pela convergência se dá pelo fato de que todo projeto, mesmo os de inovação, devem ter início, meio e fim. Como a inovação é um processo contínuo, é preciso ter foco para tornar os resultados tangíveis. Desta forma um fluxo de trabalho que ilustra esta mudança de comportamento foi criado.

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O fluxo do processo representa esta mudança do modo de pensar, saindo da linha de pensamento divergente para convergente a partir do momento as ideias e definições tecnológicas são estabilizadas.

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Visão integrada

Muitas empresas estão experimentando a aproximação e maior integração das equipes de Pesquisa e Desenvolvimento (onde são trabalhados projetos cujo foco é o pensamento divergente e a criação de inovações) e as de Construção (tipicamente compostas por executores de projetos e ideias vindas da área de Pesquisa e Desenvolvimento).

Para ilustrar esta aproximação, na Indústria de desenvolvimento de Software (aplicações), observa-se cada vez mais a existência de uma equipe de inovação que alimenta um backlog (lista de desejos) que é construído pela equipe de Construção. Os métodos, técnicas, ferramentas e habilidades que são fundamentais para um bom trabalho de pensamento divergente são diferentes dos que são observados na linha de pensamento convergente.

Quem constrói não pode ficar continuamente perguntando o porquê, questionando o que precisa ser feito, tem que focar na entrega, na construção do desejo (atender o Backlog conhecido).

O perfil dos Design Thinkers

Personalidades inovadoras marcam os profissionais considerados Design Thinkers. Há um conjunto de características observadas em pessoas que atuam com esta metodologia em mente. Entre elas, Tim Brown cita:

1. Empatia: Eles conseguem imaginar o mundo a partir de múltiplas perspectivas. Entre elas temos a dos colegas, clientes e usuários. Tendo a perspectiva do usuário, contada em primeira pessoa, esta abordagem permite imaginar a solução para atender expectativas implícitas e inerentes ao usuário. Extrema capacidade de observação.

2. Pensamento interativo: Indo além da análise dos processos, esta característica significa ser capaz de observar todas as anuências dos processos (algumas até contraditórias), confrontando os problemas para assim criar novas soluções e melhorar as alternativas dramaticamente.

3. Otimismo: Assumir que não importa o tamanho do desafio e as restrições impostas, no final uma solução em potencial é melhor que as alternativas existentes.

4. Experimentação: Inovações são obtidas por pequenos incrementos. Design Thinkers colocam questões e exploram as restrições de forma criativa para que novas abordagens e caminhos sejam considerados.

5. Colaboração: A crescente complexidade dos produtos, serviços e experiências fez com que se trocassem gênios solitários por grupos colaborativos realmente entusiasmados e interdisciplinares.

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